O custo de um social media para pequeno negócio depende de quantos posts por mês, quantas redes, se inclui Stories, gravação e anúncios, e de quem faz: freelancer, agência ou alguém contratado. Não existe preço único, e quem pergunta "quanto custa" sem dizer o escopo recebe orçamentos impossíveis de comparar. O jeito certo é transformar cada proposta em custo por entrega, e isso cabe numa planilha simples.
Este guia é para dono de loja, salão, clínica ou restaurante que está pensando em contratar alguém para cuidar do Instagram. Vamos ver o que cada modelo costuma incluir, como escrever o escopo, como comparar propostas e quando faz mais sentido fazer em casa.
O que um social media faz no dia a dia?
O nome cobre funções bem diferentes, e é por isso que os preços variam tanto. Antes de pedir orçamento, saiba o que cada atividade significa:
- Planejamento: definir temas do mês, datas importantes e o objetivo de cada post.
- Criação: fazer as artes, escrever legendas e roteiros.
- Produção de foto e vídeo: ir até o negócio para gravar ou fotografar. Muitas propostas não incluem e cobram à parte.
- Edição de Reels: cortar, legendar e colocar música. Toma tempo e costuma ser o item que mais encarece.
- Publicação e agendamento.
- Atendimento no Direct e nos comentários: responder clientes. Muitas vezes fica com o dono, porque envolve preço e estoque.
- Anúncios: configurar e acompanhar impulsionamentos. A verba de anúncio é separada do pagamento do profissional.
- Relatório: mostrar o que funcionou no mês.
Uma proposta que inclui todos esses itens e outra que inclui só criação e publicação não são o mesmo serviço, ainda que as duas usem o nome social media.
Quais são os modelos de contratação e como cada um cobra?
Os valores no Brasil mudam muito com a cidade, a experiência e o nicho, então a tabela abaixo descreve a lógica de cada modelo, e não um preço de referência:
| Modelo | Como costuma cobrar | Quando faz sentido | Atenção |
|---|---|---|---|
| Freelancer iniciante | Mensalidade baixa, por pacote de posts | Negócio que precisa de constância e tem pouco orçamento | Pouco portfólio; peça um teste pago |
| Freelancer experiente | Mensalidade maior, escopo fechado | Negócio que já vende pelo Instagram e quer melhorar | Agenda cheia; combine prazo de entrega |
| Agência | Contrato com prazo mínimo e várias pessoas envolvidas | Quem precisa de várias redes, anúncios e relatórios | Multa de saída; quem executa pode ser júnior |
| Funcionário fixo | Salário com encargos ou nota mensal | Volume alto e necessidade de presença no local | Custo fixo pesado para negócio pequeno |
| Por demanda | Preço por peça (arte, Reels, legenda) | Quem posta pouco ou só em datas fortes | Fica caro por unidade se o volume crescer |
Para ter noção dos valores da sua cidade, peça pelo menos três orçamentos com o mesmo escopo escrito. É a única comparação honesta.
Como transformar uma proposta em custo por post?
Pegue o valor mensal e divida pelo número de entregas. Só não trate todas as entregas como iguais: um Reels editado dá mais trabalho que uma arte estática, que por sua vez dá mais trabalho que um Stories. Uma forma simples é atribuir pesos:
- Stories: peso 1.
- Arte ou carrossel no feed: peso 2.
- Reels editado: peso 4.
Suponha duas propostas hipotéticas de R$ 1.200 por mês:
- Proposta A: 12 posts estáticos e 20 Stories. Pontos: 12 × 2 + 20 × 1 = 44. Custo por ponto: R$ 27,27.
- Proposta B: 8 posts estáticos, 4 Reels e 10 Stories. Pontos: 8 × 2 + 4 × 4 + 10 × 1 = 42. Custo por ponto: R$ 28,57.
Com o mesmo preço mensal, as duas quase empatam por ponto, mas entregam coisas diferentes. Se o seu público responde melhor a vídeo, a B vale mais, mesmo com custo por ponto um pouco maior. A conta serve para enxergar a diferença, não para decidir sozinha.
O que precisa estar escrito no contrato?
A maioria dos conflitos entre pequeno negócio e social media nasce de coisa que ninguém escreveu. Antes de fechar, deixe claro:
- Quantidade de cada formato por mês, e o que acontece com entregas não feitas.
- Quem faz foto e vídeo, e quantas visitas presenciais estão incluídas.
- Quantas rodadas de ajuste cada peça tem.
- Prazo para você aprovar o planejamento e prazo para o profissional entregar.
- Se o atendimento do Direct está incluído e em que horário.
- Se a verba de anúncio está embutida ou é paga por você direto à Meta. O ideal é que seja paga por você, no seu cartão, na sua conta de anúncios.
- Quem fica com as artes, os acessos e a conta de anúncios no fim do contrato. A resposta precisa ser: você.
- Prazo de aviso para cancelar.
O item 7 parece detalhe até o dia em que você troca de profissional e descobre que a conta de anúncios estava no nome de outra pessoa.
Quanto do faturamento faz sentido gastar com social media?
Não há percentual oficial. Um caminho razoável é partir do que o Instagram traz hoje. Se você sabe quantas vendas por mês chegam pelo perfil e o lucro médio de cada uma, multiplique e você tem o lucro mensal que o canal já gera. Gastar com social media uma fração desse valor, apostando que ele cresça, é uma decisão mensurável. Gastar mais do que o canal gera é uma aposta, e precisa de prazo para ser avaliada: três meses costumam ser o mínimo para ver se a constância trouxe resultado.
Se o Instagram ainda não traz quase nada, comece pequeno. Um freelancer por demanda para as datas fortes, ou um pacote com menos posts, permite testar sem comprometer o caixa.
Um exemplo para enxergar a lógica: uma doceria recebe pelo Instagram umas 30 encomendas por mês, com lucro médio de R$ 25 cada, o que dá R$ 750 de lucro vindo do canal. Contratar alguém por R$ 600 por mês consome quase tudo isso, então a contratação só fecha a conta se as encomendas aumentarem. Se em três meses elas passarem de 30 para 45, o lucro do canal sobe para R$ 1.125 e o profissional se paga com folga. Se continuarem em 30, ou o escopo muda, ou o valor muda, ou a parceria acaba. Combine essa meta com o profissional desde o começo, por escrito.
Vale mais a pena fazer o Instagram você mesmo?
Fazer em casa custa zero em dinheiro e bastante em tempo. Para saber se compensa, estime quantas horas por semana você gastaria e quanto vale essa hora no seu negócio. Se no tempo que você passaria editando Reels daria para atender dois clientes a mais, contratar sai mais barato.
Um meio-termo funciona bem para muito pequeno negócio: você grava os vídeos no dia a dia, com o celular, e contrata alguém só para editar e publicar. Quem conhece o produto é você; quem domina a técnica é o profissional.
Também é comum o dono separar uma parte pequena do orçamento para o que o social media não controla, como impulsionar os posts que foram bem e, em perfil recém-criado, dar uma base inicial de seguidores para a página não parecer abandonada. Para esse último caso existem planos mensais de seguidores automáticos, que entregam aos poucos. Vale lembrar que esses seguidores não interagem; quem traz cliente é o conteúdo.
Perguntas frequentes
Social media e gestor de tráfego são a mesma coisa?
Não. O social media cuida do conteúdo orgânico: planejamento, criação e publicação. O gestor de tráfego cuida dos anúncios pagos. Alguns profissionais fazem as duas coisas, mas cobram por cada uma.
Quantos posts por mês um pequeno negócio precisa?
Depende do ritmo que você consegue manter. Constância pesa mais do que volume: três posts por semana sustentados por meses rendem mais do que um mês de post diário seguido de silêncio.
Posso pedir um teste antes de fechar contrato?
Pode, e é recomendável. Ofereça pagar por um pequeno lote de peças. Teste gratuito costuma gerar trabalho apressado e não mostra como a pessoa trabalha no dia a dia.
O social media precisa da minha senha?
Para publicar, o ideal é dar acesso pelo Meta Business Suite ou pelo gerenciamento de pessoas da conta, como colaborador, e não pela senha. Assim você retira o acesso quando quiser sem precisar trocar a senha.
Em quanto tempo dá para ver resultado?
Em geral, três meses de constância permitem comparar números com o período anterior. Antes disso, o que dá para avaliar é a qualidade das entregas e o cumprimento dos prazos.



